sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Deus por Maria, nós com Maria

POR MARIA E COM MARIA

Por Maria Deus vem ao encontro da humanidade; com Maria a humanidade vai ao encontro de Deus. Este é um ensinamento que aprendemos desde criança, mas que pode e deve ser aprofundado, principalmente em época de muita devoção mariana e, igualmente em tempos e situações de críticas da parte de cristãos separados que creem e pensam diferente.
Dom Leomar Brustolin (bispo auxiliar de Porto Alegre), na conclusão de seu livro Eis tua Mãe – Síntese de Mariologia, assim se expressa: “Em Maria, Deus vem ao encontro do humano. Com Maria, a humanidade vai ao encontro de Deus da forma mais perfeita” (p. 119). Assim ele mostra como Maria é “duplamente Mãe”. Mãe por conceber Jesus Cristo na fé e na carne, Mãe por ser o ícone da Igreja, ou então, por cooperar com os discípulos de seu Filho em sua caminhada de fé e no encontro sempre mais profundo com o mistério do Deus Uno e Trino.

O caminho de Deus
            Para Deus todos os caminhos estão abertos; Ele não encontra obstáculos que o impeçam de vir a nós, suas criaturas. Mas nós, seres humanos, por causa de nossas limitações, não estamos em condições de o receber por qualquer caminho. Temos dificuldades enormes para abrir as portas de nosso ser às infinitas maneiras de Deus vir. Porém, Deus não se deixa vencer diante da pequenez de suas criaturas. Ele “usa” todas as possibilidades para transpor as portas do nosso interior.
            A mulher e o homem, acostumados a confiar em si mesmos, são medrosos diante daquilo que vem de fora. Desconfiam e procuram se defender de quem bate à porta do lado de fora. Até mesmo de Deus! Veem em tudo uma intromissão indevida; algo que pode incomodar, ou melhor, destronar do lugar cômodo onde se julgam estar tranquilos. Já os primeiros pais da humanidade ficaram com medo de Deus e fugiram (cf. Gn 3,10), mas este não os abandonou em sua frustrada sorte.
            É maravilhoso ver as inúmeras tentativas de Deus para se encontrar frente a frente com o ser humano. Ele procura se revelar e estabelecer diálogo e comunhão pela palavra dos profetas, pelos feitos de homens santos, pelos acontecimentos da natureza, enfim, pela história individual e comunitária do povo. Mas a “criatividade máxima” de Deus – se isto é permitido dizer -, acontece quando Ele mesmo se encarna no seio de uma mulher, que se torna Mãe, para por este caminho vir aos homens que entendem um pouco do que é ser mãe, pois a primeira experiência de vida de todo homem vem por meio do amor, do carinho e do cuidado de sua mãe. Jesus, o Filho de Deus, vem a nós por meio de Maria, uma mulher que é sua Mãe; uma vez que nós começamos a entender o mundo por meio de nossa mãe.
            Em Jesus Deus se revela em toda a plenitude (até onde o ser humano, ajudado pela iluminação do alto, é capaz de acolher). Revela o seu amor até as últimas consequências. Ele, no entanto, inicia esta maravilha por meio do caminho do amor materno, de Maria sua Mãe. Alguém pode se desculpar, dizendo que não entende nada do amor de mãe?  A realidade do amor de mãe é tão envolvente que ninguém se pode furtar dele. Até mesmo os que não tiveram a sorte de ter uma mãe que os acolhesse com amor, de uma ou de outra forma, experimentaram amor materno, pois sem ele não estariam vivendo.
            É claro que este não é o único caminho que Deus percorre para se comunicar e se doar à humanidade, mas é, sem dúvida, um caminho tão humano que todo homem por ele pode ser alcançado e lhe consegue abrir as portas. Basta ter humildade e vontade acolhedora. Mesmo que a abertura seja pequena, um pouco do infinito amor de Deus, com certeza, entrará e tocará o íntimo do coração humano.

O caminho da humanidade
            A humanidade também tem um caminho a percorrer, rumo a Deus. Quem a ajudará nesta tarefa? Quem se coloca na frente ou ao seu lado?
Já dissemos acima que Maria é ícone da Igreja, ou então, colaboradora dos discípulos de seu Filho na caminhada de fé e no encontro sempre mais profundo com o mistério de Deus Uno e Trino, agora vamos aprofundar este dado. A atitude da Mãe de Jesus, diante do desafio lançado por Deus não é outra a não ser de acolhida humilde e confiante. Ela, dessa forma, encontrou graça diante de Deus que, ao ser acolhido, se encarna em seu seio: “E o anjo se retirou” (Lc 1,38). Maria havia restabelecido o caminho que Eva tinha rompido quando temerosa fugiu de Deus (cf. Gn 3,8-10). Assim, como Eva é considerada “a mãe de todos os viventes” (Gn 3,20), Maria é a Mãe de todos que acreditam nas maravilhas que o Senhor realizou nos tempos messiânicos (cf. Lc 1,45).
            O ser humano sempre busca caminhos que levam a Deus. As religiões dão respostas a esta busca incessante: tem a intenção de “religar” o homem a Deus. A religião cristã, com o mesmo intento, ensina que Deus mesmo quer estabelecer comunhão com o homem perdido ou impedido de retornar. Cabe a ele responder. E, é justamente aí que entra a resposta de fé e confiança dada por Maria, a Mãe de Jesus. É a resposta modelar da Mãe para todos os que quiserem responder ao Deus que vem. No seu sim, Maria creu em Deus, mas igualmente “contemplou” o povo que haveria de aceitar o plano de Deus que agora estava se realizando nela e por ela, e que iria restabelecer a comunhão com a humanidade. Maria contemplava a Palavra de Deus e ao mesmo tempo contemplava o povo que haveria de acolher a Palavra feito Carne.
            Assim, pode-se dizer que o caminho para Deus, proposto pela fé cristã, é acolhida do projeto de Deus na história humana. E, para esta acolhida temos o exemplo da Mãe que no amor materno crê com toda a confiança. Seu amor ultrapassa todas as explicações lógicas ou quaisquer raciocínios humanos. Ela, como Mãe, entende de seu Filho e, o apresenta como o Caminho a ser seguido.

Por Maria e com Maria
            Portanto, o caminho de Deus para a humanidade e o caminho da humanidade para Deus se encontram em Jesus Cristo. Porém, Jesus é o Filho de Maria. Isto nos permite dizer que o caminho que Deus percorre, para vir até nós, passa por Maria; mas também que Maria aponta o caminho que nós precisamos percorrer para chegar a Deus. Nunca é demais recordar as palavras dela aos servos naquela festa de casamento quando estes estavam em apuros porque perderam a alegria da festa, uma vez que faltava o vinho: “Fazei tudo o que ele vos disser!” (Jo 2,5). Maria crê e Maria pede para obediência dos servos a Jesus. Tenhamos fé e sigamos a Jesus como Maria.

Pe. Mário Fernando Glaab

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Com os irmãos e com Deus

ORAR A DEUS COM OS IRMÃOS E AGIR EM FAVOR DOS IRMÃOS COM DEUS

            O Papa Francisco, na homilia proferida em Fátima por ocasião da canonização dos pequenos pastores Jacinta e Francisco Marto, a certa altura assim se expressou: “rezamos a Deus com a esperança de que nos escutem os homens; e dirigimo-nos aos homens com a certeza de que nos vale Deus”. Em primeira mão parece que o Papa está dizendo que a nossa oração deve ser feita com a intenção de ser ouvida pelas pessoas, para assim sermos reconhecidos. E até pode parecer que a oração dispense nosso compromisso, se é Deus que nos deve valer. Isso seria contrário ao que Jesus ensinou quando pede que não se façam orações para ser vistos e recompensados por isso (cf. Mt 6,7). Ao aprofundar a questão vemos que não é bem assim, porém tem um ensinamento profundo na afirmação de Francisco.

Oração e comunhão
            O cristão nunca está sozinho, mas sempre está em comunhão com os irmãos. Mesmo que recolhido em seu quarto, ou num ambiente onde se encontra totalmente só, sempre está ligado a seus irmãos na fé, na esperança e na caridade. Neste sentido, qualquer prece que o cristão dirige a Deus, sempre é expressão da comunidade cristã; ou melhor ainda, é fruto da comunhão que une os irmãos. Toda oração que alguém faz, mesmo aquela na qual coloca diante de Deus o seus desejos mais íntimos e particulares, é sempre algo que se forma a partir da comunidade à qual pertence o indivíduo.
            Desta maneira, é necessário que os homens “escutem” a oração para que seja também a oração deles, pois doutra forma, não seria mais oração cristã. Esse escutar não quer dizer que as pessoas precisam ser convocadas para ouvir, mas que se estabeleça entre o orante e os irmãos uma conexão de sentimentos. Aquilo que é expresso no diálogo de quem reza é, ao mesmo tempo, expressão daquilo que os homens anseiam no íntimo de seu ser. Por isso o Papa fala da necessidade de ter “esperança de que nos escutem”. O que é colocado diante de Deus na oração se conforma com o que os homens desejam colocar diante dele: louvor, gratidão, pedido de misericórdia, necessidades particulares, etc.
            Portanto, a verdadeira oração cristã é sempre fruto de comunhão, e, leva automaticamente a mais comunhão ainda. Ela tem a força da unidade para subir até Deus, mas igualmente conclama mais e mais os homens para a unidade. Oração é comunhão e comunhão leva à oração.

Ação e fé
            A ação cristã junto aos homens pode ser de inúmeras maneiras: admoestações, instruções, orações e trabalhos caritativos. Tudo é englobado na ajuda fraterna que visa construir uma sociedade mais justa e igualitária onde a vida de todos é preservada e valorizada.
            O Papa, ao dizer que quando nos dirigimos aos homens devemos fazê-lo “com a certeza de que nos vale Deus”, está afirmando a importância da fé. Não se faz nada de bom quando se confia somente em nossas pobres forças ou capacidades humanas. Somos tão limitados e o amor próprio – o orgulho – nos impede de sair de nós mesmos para o bem do outro. Contudo, quando nos deixamos conduzir pela fé no Deus que é Pai e que sabe o que cada um precisa, mesmo antes de tomarmos consciência disso, então as coisas mudam, e muito. Ações, sejam elas quais forem, quando feitas com fé, são capazes de verdadeiros milagres. Exemplos de serviço sem esperar nada em troca podem ser encontrados com abundância. E isso, geralmente entre os mais humildes; aqueles que têm fé mais pura. Os poderosos, os grandes deste mundo, não sabem realizar seus atos com a certeza da fé, uma vez que confiam no seu poder e na sua importância e, consequentemente suas intenções são outras.
            O homens precisam de pessoas que lhes vêm ao encontro para estabelecer comunhão. Mas estão saturados de falsos comunicadores, de interesseiros que lhes querem roubar a dignidade e a paz. Os cristãos não podem se furtar da tarefa de levar uma palavra de perdão, de vida e de paz ao mundo através de ações concretas e compromissadas. Somente com muita fé no Deus de Jesus de Nazaré, que manda seus discípulos a ser luz e sal da terra, é que os cristãos podem colaborar para que o mundo seja um pouco melhor, e que o Reino anunciado por Jesus se aproxime um pouco mais.
            Comunhão e fé, fé e comunhão andam juntas, na oração e na ação do cristão.
Pe. Mário Fernando Glaab

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domingo, 4 de junho de 2017

Maria escuta e consente

OBEDECER E CRER

            Ser obediente não é mesma coisa do que ter fé. Nem todo aquele que obedece crê; mas todo aquele que verdadeiramente acredita, confia e obedece. A obediência é um passo em direção da fé, mas a fé é muito maior do que a obediência. Esta última é apenas caminho que nem sempre leva para o nível superior da fé.

Maria é obediente na fé
            Contemplando a atitude de Maria, a Mãe de Jesus, diante do anúncio de que seria mãe, constata-se que ela é obediente, mas muito mais, ela crê além de todas as razões para obedecer. Obedecer, neste caso, é escutar, crer é consentir. Ela é obediente ao convite de Deus porque escuta, mas consente com o seu sim porque acredita na fidelidade de quem se revela. Maria, justamente por não entender, vai além do simples escutar e se submete totalmente às palavras do Anjo num ato de fé que abdica do agir e, deixa assim lugar para que Deus atue totalmente nela.
            Se Maria ficasse somente na escuta ela perguntaria “o que devo fazer?”, mas nunca chegaria ao “eis aqui a serva do Senhor”. Esta última é a resposta de quem se submete na fé sem medir consequências. Abre-se ao puro dom de Deus. Assim, no mistério de Encarnação, não há nenhuma ação humana, mas somente abertura para a ação de Deus. “E o Verbo se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). É, na verdade, a liberdade sem mistura de constrangimento e de temor. Deus, por meio do Anjo, ajuda o ato de fé incondicional de Maria ao lhe dizer: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. Eis que conceberás em teu seio e darás à luz um filho” (Lc 3,30-31). A maravilha da concepção virginal é a resposta de Deus à fé de Maria, que crê em nome de toda a humanidade.

Escravos da lei, livres pela fé
            Não são poucos os cristãos que levam sua vida na escravidão da lei. Eles veem sua religião como um amontoado de leis que precisam ser observadas para não merecer o castigo e alcançar alguma recompensa. O cristianismo, como doutrina, possui seus mandamentos, sim. Quem os observa tem a segurança da lei. Mas a lei não deixa de ser uma imposição, que justamente por isso, dá o ensejo de se livrar dela. Submeter-se é preciso, porém a tentação de escapar por alguma interpretação favorável está sempre aí. Cria-se toda uma mentalidade legalista; imagina-se o peso do descumprimento e da obediência dos mandamentos. Tudo será colocado na balança. Conforme, para onde pende a balança, haverá castigos ou méritos.
            Esta visão, por mais justo que alguém pretende ser, provoca angústia e desconfiança. Ninguém pode se considerar totalmente puro, pois todos estão sujeitos ao erro. Em consequência Deus deixa de ser um Pai e se torna um carrasco. A expressão “cólera de Deus” não está totalmente no passado. Aliás, alguns pregadores usam de ameaças e da figura de Deus zangado, para forçar a “conversão” dos adeptos. Isto, na verdade, é forçar a situação. Não está baseado na lei do amor, ou melhor, não tem nada do amor de Deus, nem do amor dos irmãos. É tortura espiritual.
            Contudo, a fé em Jesus Cristo, quando é bem formada, leva ao consentimento de seu mandamento. O mandamento de Jesus é o amor. Não se pode experimentá-lo a não ser na liberdade gratuita. E isto somente se consegue com a fé de que tudo o que Ele ensinou com palavras e obras é verdadeiro. A convicção da verdade leva ao consentimento: “eu quero”. Torna-se opção livre e responsável, mas, justamente por isso, não se prende às questões do castigo e do mérito. Quem crê sabe abandonar-se no amor de Deus. Deixa que Ele – assim como Maria fez – conduza a história de sua vida, produzindo frutos, não para “vendê-los” mas para distribui-los como dons da graça aceitos na fé.
            Se a submissão à lei provoca angústia, a opção de fé produz a alegria da doação livre e generosa.
            Que Maria, a pobre serva do Senhor, com sua intercessão e com sua maneira de crer, ajude a todos nós para sermos cristãos de fato, não apenas de fachada, observantes de algumas leis.
Pe. Mário Fernando Glaab
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sábado, 29 de abril de 2017

Alegria da fé.

CRIADOS POR AMOR E PARA O AMOR

            O ser humano sempre fez, faz e fará perguntas sobre sua própria existência. Donde venho, para onde vou? Por que estou aqui? Qual é o sentido de minha vida? E coisas assim. Muitas respostas foram dadas; tentativas das mais diversas, provenientes de sábios, de religiosos, das religiões e das culturas de todos os tempos. Aliás, as religiões se propõem a “religar” o ser humano à sua verdade originária, dar-lhe as condições para “retornar” ao seu início onde se compreende também finalidade última de toda a existência.

Resposta judeo-cristã
            Sem criticar as muitas soluções ou caminhos encontrados pelas mais diversas tradições religiosas, culturais e buscas filosóficas; queremos nos ater ao que a fé de Israel e, depois, a fé cristã nos propõem.
            A característica da fé de Israel (Antigo Testamento) é de que Deus mesmo toma a iniciativa de vir ao encontro do ser humano para lhe “dizer” algo sobre o seu sentido mais profundo. Com isso não se pretende afirmar que os “inspirados líderes” do povo não buscassem ansiosamente o contato com Deus. Certamente eles, junto com o povo que acreditava e procurava viver sua fé, criaram as condições favoráveis para que Deus “pudesse” vir ao seu encontro, dizendo-lhes algo sobre si mesmo e sobre o sentido da vida e existência humanas.
            A este processo que veio para falar chamamos de Revelação. Deus, que por livre iniciativa, se apresenta na história deste povo que o busca, e lhe mostra sua vontade para ele. Contudo, não é tão simples assim. Para que o ser humano – concretamente, aquele povo -, pudesse acolher e crer no que lhe estava sendo revelado, tudo aconteceu no caminhar da história: Deus – Javé, como o chamavam – veio em socorro desse povo sofrido, ajudando-o a se libertar da escravidão para a vida como povo. Ele se mostrou como aquele que quer estabelecer uma aliança com um povo livre. Ele sendo o Senhor e o povo sendo seu povo livre que pudesse viver.
            Tudo isso desembocou no conceito de criação. Assim como Deus constituiu (criou) um povo para poder existir e viver na liberdade, também criou o homem e tudo o que existe para a liberdade. Esta fé na criação foi assumida igualmente pelos cristãos. Mas, para que criou Deus todas as coisas?

Criados e escolhidos, escolhidos e criados
            A fé judaica foi aprofundada à luz de Jesus Cristo. Hoje, quando falamos da fé bíblica na criação, entendemos os dois testamentos, o Antigo e o Novo.
            A fé bíblica nos ensina que nós, e conosco todas as criaturas, existimos porque Deus é amor. Ele nos cria e escolhe para o amor; ou também podemos afirmar que nos escolhe por amor e, em consequência, nos cria. Todas as criaturas são fruto do amor criador de Deus, mas somente nós, os humanos, pela consciência sabemos disso e, damos nossa adesão de fé, comprometendo-nos a corresponder livremente ao amor criador de Deus. Portanto, Deus cria para se revelar, revela-se para amar e deixar-se amar e, assim, compartilhar vida. Mesmo que o ser humano seja infiel aos planos de seu Criador, este não se deixa vencer pela desobediência do pecador. Oferece-lhe redenção e promessa de vida em plenitude. Convida o ser humano a já, aqui e agora, fazer a experiência desta vida, deixando-se envolver no mistério do amor verdadeiro que é o amor de Deus em nós: o Espírito derramado em nossos corações.
            Não é possível, então, separar as questões da criação, da redenção e da plenitude. O amor de Deus é a causa última de tudo. E, uma que este amor quer se compartilhar, escolhe, cria, redime e salva. Quanto mais o ser humano responde positivamente com amor à escolha, à criação, à redenção e à salvação, tanto mais se realiza e se aproxima da plenitude de Deus que é vida sem fim.

Tudo é graça
            Se tudo parte e vai para o amor de Deus criador, redentor e salvador, pode-se dizer que tudo é graça. Mas, como poderemos ser gratos a Deus por tudo que ele fez e faz por nós? Viver com alegria!
            A fé não admite tristeza, pois ela coloca a criatura diante do Criador que a ama. Este amor do Criador lhe basta. Esta é a realização mais profunda do homem; a alegria que vem de Deus. A alegria da fé transforma tudo. Tudo será valorizado e tudo terá sentido. Cada criatura ocupará o seu lugar, e nenhuma será negada, desprezada ou matada. Cada ser humano será convidado à festa da alegria, onde não haverá mais choro, tristeza ou dor.
            Só a gratidão das pessoas felizes pode dizer: “Tudo é graça”; porque acolhem-na para compartilhá-la.
            Alguém vai dizer que no mundo existem também as sombras, as trevas, a dor e a morte. É verdade! Mas tudo isso não vem da luz (graça), mas dos obstáculos postos à luz. Sejamos gratos a Deus, ao semelhante, e a todas as criaturas; e, na alegria testemunhemos o amor sem medidas de nosso Deus, ajudando na tarefa de tirar tudo o que obstrui o livre caminho para todos, unindo-nos à festa da vida. Deus, em Jesus, venceu as trevas, o mal e a morte: alegrai-vos!
Pe. Mário Fernando Glaab

sábado, 22 de abril de 2017

Hunsrikisch Spessje

DE PFARRA UN DIE KAPLENE

De Religionslehra wo doch groat am erkleere was des en Pfarra is, un die Unnaschied zwischen Pfarra um Kaplan. Dan hot er gessoat: “Pfarra is in de Pfarrei de Hirt, das is de wo die Schofe toke odde uffpasse tut, zum beispiel”. Dan, fa sien ob die Kinna es verstan hon, frot er weita: “Wea sin dan in dem Vergleichniss die Schofe?” Ein Bubje antwat gleich: “Ei dat sen mia, die Leit wo in di Kerich gehn”. “Gut”, parlamentier de Lehra, un frot nochmol weita: “un wea sin dan in denne Verheltnisse die Kaplene?” Noh einige stille Minute hat dat Fritzje de Finga gehob. “Já, Fritz”, soat de Professa: “Die Kaplene sin die Schofhun!”, erklert dea Lauskerl.
Es is doch traurich mit de Kinna in de heitiche Toche, die sin so weit voa; was die eltere Leit net menne dat hon die Lauskerle schun alles bekept.
Glaabsmario

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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Páscoa - Esperança

PÁSCOA – ESPERANÇA RENOVADA E COMPARTILHADA

            Os tempos litúrgicos possuem características próprias para envolver os fiéis em experiências espirituais sempre novas. Neste sentido, o tempo pascal proporciona, para quem o vive intensamente, forte renovação da esperança.

A Ressurreição do Crucificado
            Páscoa é, para os cristãos, a comemoração da ressurreição de Jesus de Nazaré que foi crucificado. Jesus de Nazaré foi aquele homem que passou toda a sua vida fazendo o bem a todos, pois tinha consciência de que recebera esta missão de Deus, seu Pai. Ele se alimentava espiritualmente na intimidade com o Pai. Passava horas e horas em oração. Na oração encontrava as forças necessárias para não esmorecer diante dos desafios e das incompreensões. Onde havia algum pobre, doente, pecador ou excluído, lá o Homem de Nazaré agia, sempre com a maior caridade possível. Curou a muitos e a todos anunciou que Deus é Pai cheio de amor e compaixão. Sua misericórdia não tem limites.
            Estas palavras e gestos de Jesus perturbaram os ricos, os poderosos e os que se julgavam os bons. Tramaram a sua morte com a pior de todas as condenações. A crucifixão era para os criminosos e rebelados, considerados malditos, tanto que eram executados fora da cidade. Aquele que fez tudo por amor mereceu esta morte ignominiosa. Foi o preço que Jesus pagou por levar até o fim sua missão de instaurar o Reino do Amor, da Justiça e da Fraternidade, o Reino de Deus neste mundo.
            Páscoa é, portanto, a vitória do bem sobre o mal: a ressurreição do Crucificado, daquele que foi condenado por revelar o amor incondicional de Deus para todas as suas criaturas. A Ressurreição, muito mais do que voltar à vida passageira, é vida plena; vida definitiva em Deus, que é só amor. Aquele que só amou, agora está no amor definitivo de Deus. Na ressurreição de Jesus – o Crucificado – Deus pronunciou a última palavra sobre a missão dele e sobre o mundo. Deus decretou a vitória do bem e a derrota do mal. O Crucificado vive definitivamente por ter dado a vida pela causa do bem. Deu a sua vida para que o ser humano pudesse ter vida, esta é a vontade de Deus. Portanto, no Ressuscitado Deus já disse o que quer para a humanidade: que todos vivam no amor para também terem vida em plenitude.

Nossa Páscoa
            Para os cristãos a Páscoa é deixar-se envolver no mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus. É bem mais do que algumas celebrações nas igrejas. A preparação, os ritos da semana santa e a celebração da vigília pascal estão aí para atualizar na vida do cristão o mistério de Jesus Cristo que continua a sua missão de salvar a toda a humanidade. Em outras palavras, é a renovação da fé, da esperança e da caridade cristãs.
            Assim como Jesus de Nazaré foi conscientemente até à cruz por causa da sua missão, também a cristã e o cristão vão com Ele no caminho da cruz, vivendo no amor misericordioso, cheio de esperança e de fé. O mundo coloca muitas cruzes no caminho das pessoas, especialmente das que, como Cristo Jesus, estão do lado dos mais fracos, dos pobres, dos injustiçados, dos espoliados e dos pecadores.
            A Páscoa, para nós hoje, tem sentido somente se de fato une à missão de Jesus que continua a salvar o que “está perdido”. O cristão que não se dispõe a isso, está negando sua identidade – é cristão falso. Mas, por outro lado, todo aquele que, apesar das fragilidades e pecados, confia em Deus, se lança na obra do bem, da justiça e do perdão, espera confiantemente na bondade de Deus que há de pronunciar um dia também sua Palavra definitiva sobre toda a criação, este se renova na fé, no amor, mas principalmente na esperança.
            Assim como o amor assumido por Jesus até as últimas consequências o levou à morte, também o amor assumido pelo discípulo de Jesus pode levá-lo à morte; todavia, como Jesus ressuscitou, ressuscitarão com Ele os que sabem amar. Aliás, o amor tem algo parecido com a morte, pois na morte o ser humano se entrega totalmente e nada mais pode segurar para si; assim, no amor a pessoa não reserva nada para si mesma, doa-se confiantemente para o outro, no qual está o Outro que dirá a sua Palavra Definitiva.

Esperança compartilhada
            Jesus, como dissemos, compartilhou com a humanidade sua intimidade com Deus, seu Pai. Esta era a sua missão: anunciar a todos que o Reino de Deus está no meio de nós.
            A missão da cristã e do cristão não pode ser diferente. Isto exige uma profunda convicção de que existe esperança para todo ser humano: que Deus criou todos para a realização plena em sua comunhão. Que tal, se neste tempo pascal compartilhássemos esta verdadeira convicção de fé: Deus que nos cria para a felicidade em comunhão com ele, chama a todos desde sempre, e não houve desde o começo do mundo um só homem ou uma só mulher que não tenham nascido amparados, habitados e promovidos por sua ação reveladora e por seu amor incondicional. Que, portanto, não tenham direito à esperança.
            Uma vez que o Crucificado é o Ressuscitado, todos têm direito à esperança. Isto queremos compartilhar neste tempo pascal. Feliz Páscoa com a esperança renovada.
Pe. Mário Fernando Glaab
www.marioglaab.blogspot.com


segunda-feira, 13 de março de 2017

Um sábio falando

Achei interessante e bonita a afirmação de Johann Wolfgang von Goethe: "O tempo rende muito quando é bem aproveitado" (Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, do dia 07/03/2017), e resolvi compartilhá-la.