sábado, 29 de abril de 2017

Alegria da fé.

CRIADOS POR AMOR E PARA O AMOR

            O ser humano sempre fez, faz e fará perguntas sobre sua própria existência. Donde venho, para onde vou? Por que estou aqui? Qual é o sentido de minha vida? E coisas assim. Muitas respostas foram dadas; tentativas das mais diversas, provenientes de sábios, de religiosos, das religiões e das culturas de todos os tempos. Aliás, as religiões se propõem a “religar” o ser humano à sua verdade originária, dar-lhe as condições para “retornar” ao seu início onde se compreende também finalidade última de toda a existência.

Resposta judeo-cristã
            Sem criticar as muitas soluções ou caminhos encontrados pelas mais diversas tradições religiosas, culturais e buscas filosóficas; queremos nos ater ao que a fé de Israel e, depois, a fé cristã nos propõem.
            A característica da fé de Israel (Antigo Testamento) é de que Deus mesmo toma a iniciativa de vir ao encontro do ser humano para lhe “dizer” algo sobre o seu sentido mais profundo. Com isso não se pretende afirmar que os “inspirados líderes” do povo não buscassem ansiosamente o contato com Deus. Certamente eles, junto com o povo que acreditava e procurava viver sua fé, criaram as condições favoráveis para que Deus “pudesse” vir ao seu encontro, dizendo-lhes algo sobre si mesmo e sobre o sentido da vida e existência humanas.
            A este processo que veio para falar chamamos de Revelação. Deus, que por livre iniciativa, se apresenta na história deste povo que o busca, e lhe mostra sua vontade para ele. Contudo, não é tão simples assim. Para que o ser humano – concretamente, aquele povo -, pudesse acolher e crer no que lhe estava sendo revelado, tudo aconteceu no caminhar da história: Deus – Javé, como o chamavam – veio em socorro desse povo sofrido, ajudando-o a se libertar da escravidão para a vida como povo. Ele se mostrou como aquele que quer estabelecer uma aliança com um povo livre. Ele sendo o Senhor e o povo sendo seu povo livre que pudesse viver.
            Tudo isso desembocou no conceito de criação. Assim como Deus constituiu (criou) um povo para poder existir e viver na liberdade, também criou o homem e tudo o que existe para a liberdade. Esta fé na criação foi assumida igualmente pelos cristãos. Mas, para que criou Deus todas as coisas?

Criados e escolhidos, escolhidos e criados
            A fé judaica foi aprofundada à luz de Jesus Cristo. Hoje, quando falamos da fé bíblica na criação, entendemos os dois testamentos, o Antigo e o Novo.
            A fé bíblica nos ensina que nós, e conosco todas as criaturas, existimos porque Deus é amor. Ele nos cria e escolhe para o amor; ou também podemos afirmar que nos escolhe por amor e, em consequência, nos cria. Todas as criaturas são fruto do amor criador de Deus, mas somente nós, os humanos, pela consciência sabemos disso e, damos nossa adesão de fé, comprometendo-nos a corresponder livremente ao amor criador de Deus. Portanto, Deus cria para se revelar, revela-se para amar e deixar-se amar e, assim, compartilhar vida. Mesmo que o ser humano seja infiel aos planos de seu Criador, este não se deixa vencer pela desobediência do pecador. Oferece-lhe redenção e promessa de vida em plenitude. Convida o ser humano a já, aqui e agora, fazer a experiência desta vida, deixando-se envolver no mistério do amor verdadeiro que é o amor de Deus em nós: o Espírito derramado em nossos corações.
            Não é possível, então, separar as questões da criação, da redenção e da plenitude. O amor de Deus é a causa última de tudo. E, uma que este amor quer se compartilhar, escolhe, cria, redime e salva. Quanto mais o ser humano responde positivamente com amor à escolha, à criação, à redenção e à salvação, tanto mais se realiza e se aproxima da plenitude de Deus que é vida sem fim.

Tudo é graça
            Se tudo parte e vai para o amor de Deus criador, redentor e salvador, pode-se dizer que tudo é graça. Mas, como poderemos ser gratos a Deus por tudo que ele fez e faz por nós? Viver com alegria!
            A fé não admite tristeza, pois ela coloca a criatura diante do Criador que a ama. Este amor do Criador lhe basta. Esta é a realização mais profunda do homem; a alegria que vem de Deus. A alegria da fé transforma tudo. Tudo será valorizado e tudo terá sentido. Cada criatura ocupará o seu lugar, e nenhuma será negada, desprezada ou matada. Cada ser humano será convidado à festa da alegria, onde não haverá mais choro, tristeza ou dor.
            Só a gratidão das pessoas felizes pode dizer: “Tudo é graça”; porque acolhem-na para compartilhá-la.
            Alguém vai dizer que no mundo existem também as sombras, as trevas, a dor e a morte. É verdade! Mas tudo isso não vem da luz (graça), mas dos obstáculos postos à luz. Sejamos gratos a Deus, ao semelhante, e a todas as criaturas; e, na alegria testemunhemos o amor sem medidas de nosso Deus, ajudando na tarefa de tirar tudo o que obstrui o livre caminho para todos, unindo-nos à festa da vida. Deus, em Jesus, venceu as trevas, o mal e a morte: alegrai-vos!
Pe. Mário Fernando Glaab

sábado, 22 de abril de 2017

Hunsrikisch Spessje

DE PFARRA UN DIE KAPLENE

De Religionslehra wo doch groat am erkleere was des en Pfarra is, un die Unnaschied zwischen Pfarra um Kaplan. Dan hot er gessoat: “Pfarra is in de Pfarrei de Hirt, das is de wo die Schofe toke odde uffpasse tut, zum beispiel”. Dan, fa sien ob die Kinna es verstan hon, frot er weita: “Wea sin dan in dem Vergleichniss die Schofe?” Ein Bubje antwat gleich: “Ei dat sen mia, die Leit wo in di Kerich gehn”. “Gut”, parlamentier de Lehra, un frot nochmol weita: “un wea sin dan in denne Verheltnisse die Kaplene?” Noh einige stille Minute hat dat Fritzje de Finga gehob. “Já, Fritz”, soat de Professa: “Die Kaplene sin die Schofhun!”, erklert dea Lauskerl.
Es is doch traurich mit de Kinna in de heitiche Toche, die sin so weit voa; was die eltere Leit net menne dat hon die Lauskerle schun alles bekept.
Glaabsmario

www.marioglaab.blogspot.com.br

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Páscoa - Esperança

PÁSCOA – ESPERANÇA RENOVADA E COMPARTILHADA

            Os tempos litúrgicos possuem características próprias para envolver os fiéis em experiências espirituais sempre novas. Neste sentido, o tempo pascal proporciona, para quem o vive intensamente, forte renovação da esperança.

A Ressurreição do Crucificado
            Páscoa é, para os cristãos, a comemoração da ressurreição de Jesus de Nazaré que foi crucificado. Jesus de Nazaré foi aquele homem que passou toda a sua vida fazendo o bem a todos, pois tinha consciência de que recebera esta missão de Deus, seu Pai. Ele se alimentava espiritualmente na intimidade com o Pai. Passava horas e horas em oração. Na oração encontrava as forças necessárias para não esmorecer diante dos desafios e das incompreensões. Onde havia algum pobre, doente, pecador ou excluído, lá o Homem de Nazaré agia, sempre com a maior caridade possível. Curou a muitos e a todos anunciou que Deus é Pai cheio de amor e compaixão. Sua misericórdia não tem limites.
            Estas palavras e gestos de Jesus perturbaram os ricos, os poderosos e os que se julgavam os bons. Tramaram a sua morte com a pior de todas as condenações. A crucifixão era para os criminosos e rebelados, considerados malditos, tanto que eram executados fora da cidade. Aquele que fez tudo por amor mereceu esta morte ignominiosa. Foi o preço que Jesus pagou por levar até o fim sua missão de instaurar o Reino do Amor, da Justiça e da Fraternidade, o Reino de Deus neste mundo.
            Páscoa é, portanto, a vitória do bem sobre o mal: a ressurreição do Crucificado, daquele que foi condenado por revelar o amor incondicional de Deus para todas as suas criaturas. A Ressurreição, muito mais do que voltar à vida passageira, é vida plena; vida definitiva em Deus, que é só amor. Aquele que só amou, agora está no amor definitivo de Deus. Na ressurreição de Jesus – o Crucificado – Deus pronunciou a última palavra sobre a missão dele e sobre o mundo. Deus decretou a vitória do bem e a derrota do mal. O Crucificado vive definitivamente por ter dado a vida pela causa do bem. Deu a sua vida para que o ser humano pudesse ter vida, esta é a vontade de Deus. Portanto, no Ressuscitado Deus já disse o que quer para a humanidade: que todos vivam no amor para também terem vida em plenitude.

Nossa Páscoa
            Para os cristãos a Páscoa é deixar-se envolver no mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus. É bem mais do que algumas celebrações nas igrejas. A preparação, os ritos da semana santa e a celebração da vigília pascal estão aí para atualizar na vida do cristão o mistério de Jesus Cristo que continua a sua missão de salvar a toda a humanidade. Em outras palavras, é a renovação da fé, da esperança e da caridade cristãs.
            Assim como Jesus de Nazaré foi conscientemente até à cruz por causa da sua missão, também a cristã e o cristão vão com Ele no caminho da cruz, vivendo no amor misericordioso, cheio de esperança e de fé. O mundo coloca muitas cruzes no caminho das pessoas, especialmente das que, como Cristo Jesus, estão do lado dos mais fracos, dos pobres, dos injustiçados, dos espoliados e dos pecadores.
            A Páscoa, para nós hoje, tem sentido somente se de fato une à missão de Jesus que continua a salvar o que “está perdido”. O cristão que não se dispõe a isso, está negando sua identidade – é cristão falso. Mas, por outro lado, todo aquele que, apesar das fragilidades e pecados, confia em Deus, se lança na obra do bem, da justiça e do perdão, espera confiantemente na bondade de Deus que há de pronunciar um dia também sua Palavra definitiva sobre toda a criação, este se renova na fé, no amor, mas principalmente na esperança.
            Assim como o amor assumido por Jesus até as últimas consequências o levou à morte, também o amor assumido pelo discípulo de Jesus pode levá-lo à morte; todavia, como Jesus ressuscitou, ressuscitarão com Ele os que sabem amar. Aliás, o amor tem algo parecido com a morte, pois na morte o ser humano se entrega totalmente e nada mais pode segurar para si; assim, no amor a pessoa não reserva nada para si mesma, doa-se confiantemente para o outro, no qual está o Outro que dirá a sua Palavra Definitiva.

Esperança compartilhada
            Jesus, como dissemos, compartilhou com a humanidade sua intimidade com Deus, seu Pai. Esta era a sua missão: anunciar a todos que o Reino de Deus está no meio de nós.
            A missão da cristã e do cristão não pode ser diferente. Isto exige uma profunda convicção de que existe esperança para todo ser humano: que Deus criou todos para a realização plena em sua comunhão. Que tal, se neste tempo pascal compartilhássemos esta verdadeira convicção de fé: Deus que nos cria para a felicidade em comunhão com ele, chama a todos desde sempre, e não houve desde o começo do mundo um só homem ou uma só mulher que não tenham nascido amparados, habitados e promovidos por sua ação reveladora e por seu amor incondicional. Que, portanto, não tenham direito à esperança.
            Uma vez que o Crucificado é o Ressuscitado, todos têm direito à esperança. Isto queremos compartilhar neste tempo pascal. Feliz Páscoa com a esperança renovada.
Pe. Mário Fernando Glaab
www.marioglaab.blogspot.com